Andei sumida. E o motivo disso tudo é justamente a faculdade. Devido aos acontecimentos recentes, eu andei pensando a respeito da minha experiência com a vida acadêmica e resolvi compartilhar com vocês como uma forma de desabafo.
Desde o final do ensino médio eu desejava entrar para alguma faculdade. Mesmo ainda não tendo certeza do que cursar, eu achava lindo quem já estava na faculdade e toda aquela vida que envolvia o graduando. Lembro que eu sonhava com a minha vez: em ver meu nome na lista dos aprovados. Imaginava em como seriam as aulas e os dias em geral, minha rotina etc.
Acabei o ensino médio. A minha expectativa estava no pico da montanha! Ficava na dúvida se eu cursava Direito ou Letras. E mesmo com essa dúvida, eu fiz a prova do ENEM. Anos se passaram e a dúvida continuava e mesmo com o tempo seguindo em frente, eu não conseguia nota o suficiente para passar para nenhum curso que eu queria, em todos os anos que tentei o ENEM. Isso me frustrava. E olha, eu não tirava notas baixas. Sempre fui boa aluna! Não entendia a razão de fracassar em cada tentativa.
Cinco anos se passaram até que eu decidi, por fim, o que cursar. Escolhi Letras com habilitações em Português e Inglês. Desisti do ENEM e me aventurei na matrÃcula em uma faculdade privada, conhecida apenas na região onde moro. Afinal, era meu sonho começar a graduação e após tanto tempo, não me importava tanto em qual instituição.
E lá estava eu em 2015.1, incrivelmente feliz pois estava iniciando a graduação! E quanto mais os semestres iam avançando, eu me envolvia com o curso. Me apaixonei por literaturas, coisa que no ensino médio eu não tive a oportunidade de conhecer tão a fundo, mudei conceitos sobre certos tópicos que envolvem a sociedade, eliminei certos pré-conceitos, aprendi a ouvir e respeitar argumentos distintos. Cresci como pessoa.
Mas enfim, não vim dizer sobre as maravilhas que o curso de Letras trouxe para a minha vida. Mas sim, sobre alguns tópicos que eu vivo, dos quais eu discordo e só fui descobrir, após alguns anos dentro da academia.
Inicialmente, nós temos que decidir o que queremos da vida muito cedo. Muitas das vezes, não temos o completo entendimento em como a vida de fato funciona. Mas, a sociedade esmaga tanto essa responsabilidade em todos nós quando ainda somos adolescentes. Como já foi mencionado, eu sempre tive dúvidas. O lado ruim é que quando, nessa época de escolha, você fala que quer cursar Letras (por exemplo), muitas pessoas questionam e argumentam com algo semelhante à : "Mas ser professor não dá dinheiro!". E quando, um tempo depois, eu dizia (para as mesmas pessoas) que eu cursaria Direito, eu ouvia: "Nossa, é muito difÃcil cursar e depois se estabilizar na profissão." etc. Ou seja, além de ter que escolher cedo, eu nunca tive apoio da maioria das pessoas ao meu redor. Eu era adolescente, tudo o que eu precisava era de suporte.
Após isso, quando enfim se decide o que cursar, quando se matricula em alguma faculdade, aos poucos o peso da responsabilidade cai sobre nossos ombros. São trabalhos, pesquisas, apresentações, resumos, fichamentos etc...tudo marcado para datas próximas. E a sensação que eu tenho é de que o dia tem menos de 24h.
Tenho outras responsabilidades fora da faculdade, mas ela não quer saber disso. Ela quer tudo pronto.
Com isso vem todo o desgaste emocional. Todo o estresse, toda a ansiedade, todo o sofrimento.
Certa vez eu estava lendo um texto sobre os problemas emocionais que a faculdade traz e eu tive que concordar com tudo o que estava naquele texto. Não o tenho na Ãntegra e não me lembro quem foi o autor, mas me recordo que o texto falou sobre não ser normal o aluno ter crises de ansiedade antes de uma prova ou uma apresentação de trabalho. E sim, isso não é normal. Não é sadio.
Hoje eu entendo o porquê de muitas pessoas trancarem o curso no meio do caminho. Eu mesma já pensei em fazer isso diversas vezes. O que me segura até hoje foi todo o dinheiro que já deixei na instituição.
A questão é que o graduando passa por todos esses obstáculos emocionais para conseguir concluir a faculdade em um paÃs onde não se tem segurança alguma.
Esse é o problema.
Será que vale mesmo a pena?
Ainda aconselho e motivo as pessoas ao meu redor a fazer faculdade, mas também sinalizo para irem preparados psicologicamente. Creio eu que só o fato de precisar se preparar psicologicamente para executar algo, seja algo contrário do natural.





